Um filme passara pela minha cabeça, de repente me vi viajando no tempo, lembrando de cada ínicio de aula, cada hino nacional , e cada conversa na fila. Pouco tempo depois, me vi na sala da supervisão, chorando como uma criança. Ai eu ri. Ri feito uma boboca, não enchergara ninguém, apenas ria,sozinha. Mais a frente me vi naqueles dias de pique altinho no dentista, o sinal tocou e a sala ficou vazia. Esquecemos de voltar.  Dai eu me lembrei dos castigos, das trocas de professores no corredor, que corredor ! Do dia em que a 8ª serie colocou fogo na sala, de quando fui pra fora da aula de religião. Das rodas de violão na aula de artes, dos jogos de vôlei na aula de artes.É, artes nunca foi do meu agrado.Lembrara de cada pedacinho , cada sorriso, cada música, cada brincadeira. Dai, quando voltei para aquele momento, me peguei ouvindo Renata citando um texto meu. Um texto meu. Coisa que jamais imaginei, ganhei meu ano. Todas aquelas correções por falta de coerencia e coesão, todas aqueles rascunhos de redações para concursos , esquecera de tudo aquilo. Embora durante dois anos me senti tão pequena em relação ao seu rico vocabulário português, ouvir ela dizendo que se emocionou com o texto de uma aluna, me fez sentir grande, gigante. Ah Renata, você é realmente incrível e sua família, incrívelmente linda. E você me encanta,seus trabalhos desafiadores me fizeram aprender tanto, suas propostas dissertativas que sempre me deixavam tão irritada, é impossível não levar isso junto de mim. Mas por favor, pare de me fazer chorar,  porque  segundo Eliane Roque, agora eu sou uma adulta !

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