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Mostrando postagens de agosto, 2012
Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito. Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seri...
Ja havia cansado de ir naqueles mesmos encontros e tudo parecer tão monótono, tão chato. Confesso, já havia desistindo de propôr-los há muito tempo. Uma desistência e a minha já era a próxima. Pensara assim no decorrer do dia , tentava adiar a noite, queria volta pra casa. Minhas férias haviam sido tão boas, por quê acabar assim? Numa dessas saídas vazias com pouca gente e nenhuma animação. Já vi essa cena várias vezes e não era do meu agrado repetí-la. Mas fui, eu sempre vou, apesar de todas as desilusões. E acredite ou não, não me arrependo de ter ido. Não me lembrava da ultima vez que vi o fim da noite chegando e desejei com todas as minhas forças não ter que ir embora, ficar mais um pouco, até mesmo topar aquela velha dormida na casa da ex-pra sempre-melhor-amiga. Mas não,melhor não. Deletei qualquer chance  de estragar aquela noite. Praticando meu auto controle pensei antes de falar por várias vezes, e parece, só parece, que deu tão certo, pois no final das contas me sent...