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Um dia, sentada na areia, conversando com mamãe, ali de frente ao mar, ela me confessou seu interesse voltado pra psicologia. O motivo era simples : "queria entender o que passa na cabeça de um assassino, de um psicopata ou de um pedófilo" Quando menor, era isso que desejava seguir. Achava minha cara : cheia de conselhos, filosofia e sermões. Passava horas conversando com amigos que faziam o curso e meu interesse só aumentava. Lia livros a respeito e me fascinei pela mente humana. Mas aos poucos percebi que entendê-la não é tão simples como pensei, precisa-se acima de tudo entender a si mesmo e cá pra nós, isso é realmente impossível . E além de entender alguém, é preciso colocar-se em seu lugar.  E hoje pela manhã, diante de uma chacina no Rio de Janeiro , um homem - frio e calculista- entra em sua ex escola e atira em 12 crianças inocentes,eu me pergunto : como se colocar no lugar de alguém assim ? Que circunstâncias levaram esse homem a cometer tamanha a...
Há muito tempo tive um grande amigo, ele me dava a mão quando eu não sabia caminhar sozinha. Me abraçava tão forte quando tinha medo de que algo desse errado e brigava comigo por praticamente tudo. Esse amigo era como um irmão, eu diria. Brigávamos constantemente.Em um conjunto de piadas, brincadeiras e agressões físicas. Por várias vezes pensava que chegava ao limite nossa relação porque não era tão simples assim aguentarmos um ao outro. Éramos dois chatos insuportáveis implicantes,como dois irmãos de sangue. Era assim todos os dias. Já estava acostumada a ouvi-lo me repreendendo ou com um tal '' eu te avisei'' a cada erro que cometia. E eu sempre queria dizer a ele o que fazer. Queria cuidar dele. Seja com essa, a antiga ou a próxima namorada que viria. Seja com as notas ou o seu comportamento inadequado em certas situações. Eu sempre queria corrigi-lo. Eu sempre queria protegê-lo.  Hoje estou certa de que ele sequer se lembra da minha existência, e depois de muito...
Aos poucos me defaço pelo que sou. Sentindo minha pele derretendo-se sobre mim dando lugar a uma nova camada, um novo eu.  Jurei de pé junto nunca mais lhe escrever. Mas desde que fiz um juramente do tipo quase perdi meu dom para sempre. O vi escapando sobre mim, pelo medo absurdo de escrever sobre alguém que me fez mal. Mas não ! Aqui estou eu e a raiva consumindo o meu corpo e invadindo esse coração. Mas não é estranho sentir raiva da melhor amiga ? Se fosse assim, não deveria ter esse nome : melhor amiga, embora tenha. Mas não luto contra essa raiva, não tenho discordado do meu rancor ultimamente. Tenho motivos, tenho minhas razões. Apesar de não merece-las, conheço bem a mim mesma e ficarei assim por muito tempo. Sou orgulho, sinto dor e mágoa. Não se me desculpar humildemente, frente a frente com alguém, o que piora a situação porque fico na espera de que esse alguém faça o emsmo por mim. Enquanto isso vou tomando pensamentos sombrios e a angústia de uma distância física ...