Há muito tempo tive um grande amigo, ele me dava a mão quando eu não sabia caminhar sozinha. Me abraçava tão forte quando tinha medo de que algo desse errado e brigava comigo por praticamente tudo. Esse amigo era como um irmão, eu diria. Brigávamos constantemente.Em um conjunto de piadas, brincadeiras e agressões físicas. Por várias vezes pensava que chegava ao limite nossa relação porque não era tão simples assim aguentarmos um ao outro. Éramos dois chatos insuportáveis implicantes,como dois irmãos de sangue. Era assim todos os dias. Já estava acostumada a ouvi-lo me repreendendo ou com um tal '' eu te avisei'' a cada erro que cometia. E eu sempre queria dizer a ele o que fazer. Queria cuidar dele. Seja com essa, a antiga ou a próxima namorada que viria. Seja com as notas ou o seu comportamento inadequado em certas situações. Eu sempre queria corrigi-lo. Eu sempre queria protegê-lo.
Hoje estou certa de que ele sequer se lembra da minha existência, e depois de muito tempo, eu também o esqueci. Mas ao pegar fotos , assistir vídeos e ver outros casais de amigos , assim como nós costumavámos ser juntos, sinto saudade. Não gosto de confessar isso a ninguém pois guardo mágoas de quem nos causou essa distância, mas carrego comigo o vazio do meu peito e a sensação de que um dia tudo se resolverá e não vai passar de um mal entendido.
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