A chuva caia sobre mim, ventos levavam tudo, exceto meus pensamentos. Caminhava em uma direção, e quanto mais andava, sentia o aperto no peito bater mais forte, tudo me parecia bastante familiar. Cada passo estava marcado por todo o caminho, aos poucos lembranças se tornaram conhecidas,cada esquina, outra lembrança. Voltei ao passado enquanto andava, ouvia vozes ao meu redor, vozes conhecidas , alegres, nervosas, calmas, tranquilas. Vozes estas que deixei enquanto passava. Foi angustiante relembrar todos os momentos , mas senti um alívio ao chegar. Estava em casa.
Voltar a minha escola fora algo inigualável naquela manhã, sabia que no final de um longo e arduo trajeto haveria um sorriso a me esperar, como houve. O sentimento de culpa que atormentara desde o princípio se tornou um equivoco após revê-la.Percebi que eu não era a culpada pelas decisões do destino, e caso fosse, ela me perdoaria, e, se não perdoou, havia acabado de me perdoar, naquele instante.
Me parecia bem mais uma amiga de infância , saudade gritou tão alto que desejei ficar, retornar a minha sala e conversar sobre um assunto qualquer - mas sinto lhe informar, que isso já não importava mais. Sorrisos se exuberaram diante daquele corredor, o famoso ''corredor da morte'' ganhava agora um encanto a mais, o encanto da saudade, da minha saudade.
Esperava poder ficar como a veterana que fui, ao menos por essa manhã, mas não cabia a mim reviver o passado.Estou presa a ele, de fato concordo, mas tenho que continuar pelo meu longo e arduo trajeto.

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