Houve um tempo em que acreditei em magia, sonhos e realizações. Me apeguei à sorrisos , rostos , olhares e lembranças. Houve um tempo que me sentia feliz em cada nascer do sol. Não sei o que houve com esse tal tempo, se perdeu o rumo com tantas idas e vindas, de um lado ao outro, mas desde então ele não voltou mais,não bate na janela do meu quarto em noites de angústia. Dói dizer que já me acostumei com sua ausência e que há muito tempo desisti de esperar, mas me sinto imune a todo e qualquer tipo de sentimento, indiferente às recordações e vazia diante de momentos bons. Os motivos pelos quais sorrio já não são os mesmos que estava acostumada a sorrir há um ano atrás. Valores se diferem uns dos outros e o contraste se tornou tão grande que entristeço ao  me esforçar para lembrar de quem fui e não encontrar um só vestígio desse alguém. Volto aos livros, canções , fragmentos guardados no fundo de cadernos velhos. (Re) leio todas aquelas cartas e absorvo cada adjetivo qualificativo dado ao meu respeito, buscando um próposito que me faça enxergar quando fui assim. Não é fácil lidar com o que fui e com o que sou, não é facil agarrar a um passado desgastante com medo de perdê-lo, conciliar o quão diferente é o hoje o quanto doi lembrar do que foi ontem e sentir tanto medo do possa vir a ser  amanhã. É ai que me  perco : em palavras que já não significam nada , sorrisos  e olhares vazios. 

- tenho nojo de mim .
- por quê ?
- porque eu mudei caramba! 
Eu tinha você, tinha Laila , 
tinha um pai, eu tinha uma vida perfeita,
eu era feliz.

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