Seis meses. Fazia seis meses que não pisava os pés naquela quadra.Seis meses desde as últimas lembranças dos treinos,jogos, vitórias e derrotas. E lá estava, sentada naquela arquibancada vazia como uma mera torcedora. Se sentindo inútil , acima do peso, fraca, incompetente, como se depois de tudo que tivesse deixado para trás, a sensação que os jogadores estavam sentindo fosse o que mais lhe fizesse falta. Se tivesse a opção de largar tudo, largaria, por vinte e quatro horas de treino pesado. Estica a mão, você não pode dar manchete com medo! Não deixa pegar nos seus dedos pra ela sair perfeita! Não carrega a bola! É pra cima esquerdinha, pra cima! Vai sem medo , ataca! Vai esquerdinha, boa !
Então foi isso que sobrou, quando percebeu que não voltaria mais. O barulho das bolas atacadas perfeitamente na palma da sua mão, o eco das batidas fortes na quadra, os chingos, brigas , comemorações, a chuva caindo sobre ela na volta para casa, o suor , o esforço. Ficar ali já não fazia sentido, se sentia uma completa estranha arrependida de um dia ter ido pensando mil e uma possibilidades de como seria se ficasse. Ela estaria entre eles, jogando com eles e se esforçando como eles. E no final a única dúvida que rondava sua cabeça era se um dia voltaria a ser tão boa como antes . Se um dia voltaria a passar seus dias nos treinos, e tudo que falasse seria em torno do voleibol, e se orgulharia por ser assim: uma jogadora nata. Mas com o tempo suas expectativas se foram , tudo que restou naquele momento foi um profundo arrependimento de tudo. Seis meses, ja faz seis meses que abriu mão de seus sonhos.
- Brigada por vir me prestigiar.
- De nada.
- Era para você está jogando com eles.
- É.
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