Não é culpa minha, é sério ! Todas as noites repito a mesma coisa. Sento na cama com lápis, borracha e as últimas folhas da caderneta. Sento e espero. Espero por um tempo constante, que aos poucos se torna uma eternidade. Paro para pensar se fui eu quem escolheu assim ,que talvez a culpa realmente fosse minha, pela estúpidez de me permitir sentir algo tão forte por alguém que no fim das contas levou consigo o único dom que me restava. Não queria parar, eu simplismente parei. Só não estava ciente que tinha de pagar um preço tão alto por tentar tirá-lo das minhas histórias, por me proteger. Então espero pelo sentimento que me conceda uma vontade desenfreada de voltar a escrever, para que amenize a culpa e angustia de guardar tanta coisa sem poder transformá-las em palavras. Não me culpe, falhei diante do meu orgulho e quis abrir mão do único e verdadeiro verbo que permanecia aqui em meio a tantas idas e vindas. O verbo escrever. Em presente, preterito e futuro. Eu escrevia, hoje não sei se escrevo e amanhã só Deus sabe o que escreverei.

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