Um dia parei para pensar no que são 9 anos. Tenho uma vaga lembrança do que foram meus 9 anos. E, sendo mais aberta, foram um dos piores anos da minha vida escolar. Mas com 9 anos de idade, eu ja tinha vocês.
Lembro do meu agrado por cartas, estas de aniversários, fim de ano, amigo anjo, coisas de garotas. E como numa singela tradição, cada ano que se passava, uma carta mais eu ganhava.  Recordo-me da primeira que ganhei, aos oito anos, um pequeno cartão de fim de ano, desejando um feliz natal e ano novo . Embaixo o nome Franciele assinado por uma letra recém treinada no caderno de caligrafia. Tenho-o até hoje e , se me permite o comentário, tantos anos depois, a sua letra não mudou nada.
E após o cartão, vieram outros, e mais outros , e cartas e cartas com frases , citações, sentimentos e desejos.Queria chegar às 50 mas perdi as contas quando passara disso.
Entretando, tinha um certo apreço em especial pelas palavras de uma certa garota. Não era a mais comunicativa da classe ou a mais popular, mas tinha uma inteligencia admiravel e o dom com as palavras principalmente ao se tratar de mim. Jamais me esqueci de tudo que ela me disse ao longo do tempo, e por tantas vezes achei que não merecesse tantas motivações e tamanhas qualidades. Ela não falava, nunca precisou, tudo o que queria dizer constava em papeis de cartas  escritos com letras miudas e inicialmente ilegiveis, mas após duas ou três lidas , conseguia entender e guardar seus conselhos. Mas houve uma carta no qual eu nunca me esqueci. Engano-me ao pensar que durante todo meu caminho fui uma amiga pra todas as horas,  palavras que confortava todos os choros e o sorrisos que desaparecia com todas as lagrimas. Perdi-me algumas vezes de quem  sempre fui e recordo como se fosse ontem, sentada no salão olhando a chuva cair pela porta eu lia palavras duras criticas e nítidas ofensas ao meu respeito, sublinhadas de laranja, via a verdade que por tanto tempo esteve em  meus olhos tornando-se transparente e  nunca me dei conta. O peso da mochila ia se tornando pequeno dando espaço ao fardo que a minha consciencia começava  a carregar. 
No primeiro momento senti raiva, um odio terrivel percorrera  meu corpo e a vontade instantânea de rasgar em pedaços toda aquela dor. Mas eu não o fiz.Porque  do mesmo modo e no mesmo ano , recebi outra carta , coincidência ou não, tratando-se do mesmo assunto. Então pensei em quantas pessoas ja disseram a verdade sobre mim dessa forma como vocês me disseram.  Foi assim que o peso da dor se tornou remorso por ter errado tanto. 
Essa é minha vaga lembrança do que foram esses 9 anos. Embora houve momentos com as duas dos quais jamais me esqueci, a verdade cravada em meu peito é a unica que carrego comigo até hoje. Mas dou minha cara a tapa e bato nesse mesmo peito ao dizer que ainda tenho amigas que se orgulham de mim.


Há muito tempo vinha  tentando escrever esse texto, tentar ao menos expressar o quão grata sou pelo tempo de amizade. Mas é difícil mostrar em palavras o que se sente com o coração. Espero que esse pequeno punhado de frases e histórias enriqueça a memória de cada uma de vocês para que não se esqueçam do quanto essa amizade  é importante pra mim. 

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