''— Não vou perguntar por que você voltou, acho que nem mesmo você sabe, e
se eu perguntasse você se sentiria obrigado a responder, e respondendo
daria uma explicação que nem mesmo você sabe qual é. Não há explicação,
compreende? Eu também não queria perguntar, pensei que só no silêncio
fosse possível construir uma compreensão, mas não é, sei que não é, você
também sabe, pelo menos por enquanto, talvez não se tenha ainda
atingido o ponto em que um silêncio basta? É preciso encher o vazio de
palavras, ainda que seja tudo incompreensão? Só vou perguntar por que
você se foi, se sabia que haveria uma distância, e que na distância a
gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece
sabendo que está esquecendo.
Pede um cigarro, um objeto nas mãos torna mais fácil uma conversa dessas, compreende? A fumaça sobe devagar, já não existem os círculos dourados, agora são apenas cinza — a fumaça. Em torno, nada mudou. Até a água esverdeada do aquário parece a mesma. Espero. O peso na cabeça se dissolve aos poucos em contato com o dia.
— Não quero complicar nada. Nunca quis. Também não queria falar. Mas eu não podia simplesmente receber você com a cara de ontem.''
Pede um cigarro, um objeto nas mãos torna mais fácil uma conversa dessas, compreende? A fumaça sobe devagar, já não existem os círculos dourados, agora são apenas cinza — a fumaça. Em torno, nada mudou. Até a água esverdeada do aquário parece a mesma. Espero. O peso na cabeça se dissolve aos poucos em contato com o dia.
— Não quero complicar nada. Nunca quis. Também não queria falar. Mas eu não podia simplesmente receber você com a cara de ontem.''
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