- Ei, vem aqui.. Você está chorando? O que aconteceu?
Nunca me disseram como se deve consolar alguém, independente da situação, nunca fui muito boa nisso. Com as palavras, sabe? Deve-se escolhê-las muito bem quando o objetivo é amenizar a dor , acrredito que são esses os poucos segundos cruciais de ação e reação que enxergamos uma verdadeira amizade.Nunca soube dizer nada, também não havia nada a se dizer. Eu jamais entenderia a dor de alguém até passar pela mesma situação a qual passou. E por mais injusta que eu ache essa minha vida e as circunstâncias a qual estive sujeita pelos três últimos anos, a rejeição  de um pai é algo novo e incrédulo demais pra mim.
Naquele momento abri meus braços como jamais os abri para alguém. Não lembro sequer quantas horas ficamos assim, juntos, chorando um pelo outro- pois ele sabia, naquele dia que eu também precisava do seu ombro amigo. Não disse nada, mas meu abraço falou por mim.  Gritou, sufocou o meu amor incondicional por aquele garoto, o meu orgulho e admiração pela sua garra, força e coragem. Eu quis gritar pelos quatro cantos da casa: você merece tudo nessa vida e não deixe nunca que te convençam do contrário, não permita jamais que alguém lhe diminua, porque você meu amigo, você merece o mundo. Mas não disse nada, não me preocupei em dizer, meu abraço, o mais apertado de todos, falou tudo por mim.
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" Um amigo me chamou para cuidar da dor dele.
Guardei a minha no bolso, e fui."


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