Esse não é um belo texto de Natal

Eu sempre fui amante de Natais. Sempre achei que fosse uma data mágica. Eu sempre fui muito mais coração nessa época. Sempre gostei de dar presentes, mas não aqueles presentes normais que as pessoas dizem as outras o que querem. Eu gostava de surpreender. E queria ser suprreendida. Por anos fiz isso. E quem quer que estivesse ao meu lado, sabia disso. Era ano após ano, uma caixa diferente. Tamanhos diferentes. Surpresas diferentes. Isso fazia eu me sentir viva. Me sentir a Thaynah de sempre. Esse ano me vi fazendo a última coisa que eu queria, comprando aquilo que o outro diz que quer. E embora tenha sido divertido, eu sentia que estava perdendo um pouco de mim. Com uma inútil esperança de que teria algo mais, o natal com quem eu gosto foi só isso.
Natal me deixa mais coração, e me faz refletir em tantas coisas. Com tantas pessoas que eu fui deixando pra trás, eu fui perdendo um pouco de quem eu sou. Tantas coisas que eu me importava tanto, hoje eu já não me importo mais. É um martírio. Saber que eu não era assim. Hoje eu sou. Amanhã tende a ser pior.
Eu era tanto amor. Eu era tanto coração. Com as pessoas que eu tinha ao meu redor cultivava um sentimento de cuidado, e com essas mesmas pessoas eu fui deixando de me importar.
Não sei por que a vida foi me fazendo assim, e ao me ver com alguém eu fui absorvendo mais do que ele é, e emitindo menos do que eu sou. Quando eu procuro no passado uma resposta, o meu passado me diz que não cabe a ele mais. Quando eu corro para o presente, eu vejo o quão rotineiro, metódico com pouca demonstração de sentimento forte ele é. Quando penso no futuro, tenho medo.
Medo de quem eu estou me tornando,  medo de nunca mais encontrar aquela garota de anos atrás. Aquela garota que sempre sentiu demais.
Esse não é um belo texto de Natal, é um texto de alguém que tem se perdido pouco a pouco, e nem mesmo a magia do Natal consegue mais tocá-la.

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